05 novembro 2008

"NÃO ARREDAREMOS O PÉ DA LUTA ATÉ A VITÓRIA FINAL"

Depois de pararem por uma hora, historicamente, os serviços do Hospital Walfredo Gurgel, na última segunda-feira, hoje foi a vez dos servidores e médicos da rede estadual de saúde repetirem a ação no Hospital Dr. José Pedro Bezerra, o “Santa Catarina”, na zona Norte de Natal. Apenas casos de urgência e emergência passaram pela barreira humana de trabalhadores revoltados contra a intransigência do governo do Estado de não negociar com as categorias. O deputado estadual Luiz Almir também foi lembrado nas faixas dos manifestantes como alguém que "utiliza a televisão, que é uma concessão pública, para desrespeitar os servidores". "Ele nos acusa de irresponsáveis por interromper os serviços, mas não lembra que a maioria dos servidores não tem plano de saúde, por isso, fizemos esta faixa 'Luiz Almir 100% contra a saúde'", relata a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Sônia Godeiro. A programação do movimento grevista continua na tarde de hoje, em parceria com os servidores federais, em frente à Câmara Municipal de Natal. Amanhã, as categorias sensibilizam servidores que ainda não aderiram à greve no Hospital Giselda Trigueiro, Laboratório Central, Hemocentro e Unicat. Na quinta-feira à tarde, eles vão para a Assembléia Legislativa solicitar a intervenção dos deputados, e, na sexta-feira, outra paralisação de uma hora, das 10 às 11 horas, vai ser feita no Giselda, nas Quintas. "A parada no Walfredo foi muito representativa, não houve problema com a população, mas, mesmo assim, o governo se recusa a negociar", diz Sônia. Outro servidor informa que a situação é crítica: faltam profissionais, materiais e medicamentos nas unidades estaduais de saúde. "Faltam até seringas e formol. Isso é um absurdo. Temos que enfrentar o governo, porque estamos há dois anos sem receber aumento", critica Josmar Henrique. O usuário Rui Torres da Silva é solidário ao movimento. "É uma vergonha não haver diálogo para resolver isso e acaba prejudicando a população", opina. Os representantes do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) e da Associação Médica do RN (AMRN) também participaram da ação hoje pela manhã. "Estamos solidários ao movimento, porque este impasse precisa ser resolvido. Os anseios dos profissionais são justos, porque a situação é caótica em tudo - instalações físicas, condições de trabalho, materiais e baixos salários", descreve. Cumprindo a promessa de "arroxar" a paralisação dos servidores e médicos da rede estadual de saúde pública, o presidente do Sinmed Geraldo Ferreira criticou a atuação da direção do Santa Catarina e a falta de abertura ao diálogo por parte do governo do Estado. "Este é um hospital de Big Brother, em que o prazer da direção é observar o que os funcionários estão fazendo. Mas o trabalho dela deveria ser administrar para que exista uma assistência digna aos usuários. Não arredaremos o pé da luta, apenas quando hastearmos a bandeira da vitória Nossa briga é com o governo e não com o povo", declarou. A opção por intensificar a greve, que já dura 17 dias, para os servidores da saúde, e 13 para os médicos, aconteceu depois da última sexta-feira. Em audiência com o secretário estadual de saúde, George Antunes, e com o secretário estadual de administração, Paulo César Medeiros, foi comunicado às categorias que a governadora Wilma de Faria não autoriza o reajuste salarial pleiteado e que os acertos relativos à mudança de nível só devem ocorrer daqui a um ano. A Promotoria de Defesa da Saúde se reúne com a Sesap nesta quarta-feira, no período da tarde, para também abordar o assunto.

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